O Hospital Moinhos de Vento realizou, na quinta-feira (18), uma cirurgia inédita no Rio Grande do Sul de alongamento ósseo utilizando uma haste motorizada totalmente interna, sem a necessidade de fixador externo — método que, até então, era o mais comum nesse tipo de procedimento. A tecnologia, liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de 2025, foi utilizada em poucos casos no Brasil e passa agora a integrar as opções terapêuticas disponíveis no Estado.
A cirurgia foi realizada em uma paciente de 14 anos, diagnosticada com Osteocondromatose Múltipla Hereditária, condição genética rara caracterizada pela formação de tumores ósseos benignos que podem provocar deformidades e discrepâncias no crescimento dos membros. No caso da paciente, havia um encurtamento da tíbia direita associado a uma leve deformidade óssea.
De acordo com o médico ortopedista Dr. Bruno Antunes, integrante do Serviço de Ortopedia do Hospital Moinhos de Vento e responsável pelo caso, o procedimento marca uma mudança importante na forma como o alongamento ósseo é realizado. “Estamos falando de uma verdadeira revolução. Essa é a única haste desse tipo disponível no Brasil atualmente, e ela permite que todo o processo de alongamento seja feito internamente, sem estruturas externas, o que traz ganhos expressivos em conforto, segurança e qualidade de vida para o paciente”, afirma.
O plano cirúrgico envolveu a correção da deformidade e a implantação de uma haste de alongamento ósseo motorizada na tíbia. O dispositivo atua por meio de um motor interno, permitindo que o osso seja alongado através do uso de um controle que encosta na pele. A correção acontece de forma gradual, precisa e controlada ao longo do tempo.
Para o ortopedista, a tecnologia representa um avanço relevante no tratamento de adolescentes e adultos com discrepância no comprimento dos membros. “A grande vantagem dessa haste é permitir o alongamento ósseo de forma totalmente interna, sem o uso de fixadores externos. O processo é controlado por um sistema de indução, semelhante a um carregador de celular, em que um transdutor posicionado sob a pele recebe energia de um controle externo e promove o alongamento de maneira gradual e precisa, conforme a prescrição médica. No caso desta paciente, conseguimos corrigir a deformidade e iniciar o alongamento com menor impacto na rotina, favorecendo a reabilitação e a adesão ao tratamento”, explica o Dr. Bruno.
Tradicionalmente, cirurgias de alongamento ósseo utilizam fixadores externos, que permanecem visíveis durante todo o período de tratamento e podem gerar limitações funcionais, desconforto, dor na inserção dos pinos e maior risco de infecções. Com a nova haste interna motorizada, esses fatores são significativamente reduzidos, tornando o processo mais discreto e seguro.
Para o chefe do Serviço de Ortopedia e Traumatologia do Hospital Moinhos de Vento, Dr. Carlos Roberto Galia, a realização da primeira cirurgia desse tipo no Rio Grande do Sul reforça o papel do Hospital Moinhos de Vento como referência nacional em procedimentos de alta complexidade. “A incorporação dessa tecnologia demonstra nosso compromisso com a inovação e com a oferta de tratamentos de ponta, sempre com foco em melhores desfechos clínicos e na experiência do paciente”, finaliza.
Crédito: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento










