A semeadura de soja da Safra 2026/2027 no Rio Grande do Sul segue limitada pelas chuvas frequentes, pela elevada umidade do solo e pelo reduzido acesso de máquinas, e se concentra nos locais com autorização para a semeadura antecipada, ou que não estão sujeitos às restrições de financiamentos referentes às normas do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Na maior parte do Estado, quando possível, os produtores priorizaram a dessecação de plantas de cobertura e prepararam as áreas, enquanto aguardam condições mais favoráveis para iniciar ou ampliar a implantação das lavouras. Essa cautela também está relacionada ao risco de necessidade de ressemeadura após as precipitações intensas, considerando os custos envolvidos no estabelecimento da cultura.
De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado nesta quinta-feira (15/10) pela Emater/RS-Ascar, na região de Santa Rosa estima-se que 6% da área projetada, de 786.234 hectares, tenha sido semeada. As primeiras lavouras implantadas se concentram em áreas anteriormente em pousio e em propriedades sem vinculação a financiamentos sujeitos às normas do Zarc, utilizando recursos próprios. No RS, a Emater/RS-Ascar estima o plantio de 6.645.384 hectares e produtividade de 3.183 kg/ha. A produtividade esperada para a região Noroeste é de 3.215 kg/ha.
Na região de Pelotas, as primeiras lavouras de soja foram implantadas em Herval, Canguçu e Piratini. Grande parte das áreas destinadas à cultura continua ocupada por pastagens, e os produtores vêm retirando gradualmente os animais, realizando a dessecação e a preparação das áreas para a semeadura. A projeção de plantio é de 515.970 hectares e a produtividade estimada em 2.606 kg/ha. Já na região de Soledade, a semeadura da soja avançou em ritmo reduzido. Muitas áreas já estão dessecadas e preparadas para receber as sementes. Conforme o calendário do Zarc, o período de implantação se estende até 28/01/2027. Estima-se o cultivo de 487.640 hectares e produtividade de 3.275 kg/ha.
Milho – A semeadura de milho alcança 76% da área projetada para esta safra no RS, que é de 896.401 hectares. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa luminosidade e as temperaturas amenas têm restringido o acesso das máquinas e retardado o desenvolvimento inicial das lavouras na maior parte do Estado. A baixa disponibilidade de radiação solar limitou o crescimento das plantas, e os elevados volumes de precipitação podem favorecer a lixiviação de nutrientes. Além disso, os temporais com granizo e ventos fortes provocaram danos em lavouras estabelecidas, comprometendo o estande no Noroeste do Estado. Contudo, parte das lavouras apresenta recuperação satisfatória após os danos iniciais.
Milho silagem – A semeadura evoluiu apenas 3% nos últimos dias, alcançando 53% da área prevista para o Estado, que é de 369.389 hectares. As chuvas frequentes, a elevada umidade do solo, a baixa disponibilidade de radiação solar e as temperaturas amenas têm restringido as operações e retardado o desenvolvimento inicial em algumas áreas. Nas lavouras estabelecidas predominam os estágios vegetativos, que correspondem a 99% da área implantada, e menos de 1% iniciou a floração. A Emater/RS-Ascar estima para o milho silagem uma produtividade média de 38.392 kg/ha.
Arroz – A semeadura de arroz irrigado prossegue em ritmo diferenciado entre as regiões produtoras, sendo mais expressiva na Fronteira Oeste e no Sul. Já na Região Central e Litoral, as chuvas volumosas das últimas semanas restringiram o preparo do solo e a implantação das lavouras. No Estado, aproximadamente um terço da área foi semeada. O excesso hídrico dificultou as operações e provocou alagamentos, danos em taipas e problemas no estabelecimento inicial nos talhões já semeados. Em áreas de várzea próximas a cursos d’água, as inundações elevam a preocupação com a continuidade do plantio e com a manutenção da área cultivada prevista para a safra. A área projetada de cultivo pelo Instituto Riograndense do Arroz (Irga) para a Safra 2026/2027 alcança 861.779 hectares, e a produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha.
Feijão 1ª safra – A semeadura de feijão da 1ª safra avançou pouco, condicionada pela elevada umidade do solo e pelas condições de acesso às áreas. Estima-se que aproximados 20% da área prevista, que é de 24.587 hectares, foram semeados. O estabelecimento da cultura ocorre de forma satisfatória, mas há registro de redução das áreas comerciais em algumas regiões. Nas lavouras mais precoces, estão em andamento as operações de adubação em cobertura.
CULTURAS DE INVERNO
Trigo – A colheita de trigo avança para 9% da área plantada, de forma irregular e com interrupções em função das chuvas. A dessecação para a uniformização da maturação foi utilizada para antecipar a retirada das lavouras e para a manutenção da qualidade dos grãos, embora a colheita com maior umidade eleve os custos operacionais nas unidades de beneficiamento e secagem. As estimativas regionais de produtividade apresentam variações, mas há indicativo de redução em diversas áreas. Já as lavouras com melhor manejo ou não afetadas por eventos climáticos, ainda mantêm potencial produtivo satisfatório.
Nas áreas de trigo em fase reprodutiva (50%), o excesso de chuvas, a manutenção da umidade do ar e a baixa disponibilidade de radiação solar têm prejudicado o enchimento de grãos, com reflexos negativos sobre o rendimento e a qualidade do produto. Em lavouras próximas à colheita (40%), são observados descoloração da palha e enrugamento dos grãos, o que aumenta os riscos de redução do peso hectolitro (PH) e de outros parâmetros comerciais. Na região de Santa Rosa, 1% das lavouras de trigo está em floração, 33% em enchimento de grãos, 53% maduras e 13% colhidos. Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram acamamento, quebra de espigas e debulha, sobretudo em lavouras maduras ou próximas da colheita. Os produtores seguem muito preocupados com a redução do PH e com os custos de secagem. Nas áreas atingidas, eles acionaram o Proagro e os seguros privados, e seguem as vistorias para a avaliação dos danos.
Aveia-branca – Os cultivos de aveia-branca estão se aproximando do final do ciclo, e 30% da área está em enchimento de grãos, 48% em maturação e 22% colhidos. O padrão produtivo está variável entre as regiões: há lavouras com resultados satisfatórios, e outras afetadas por eventos climáticos recentes, que provocaram acamamento, debulha das panículas e perdas de produtividade. Em algumas áreas, a baixa qualidade dos grãos tem dificultado a comercialização para a indústria, levando à destinação para a alimentação animal. A estimativa estadual de área cultivada é de 387.697 hectares, e a produtividade média projetada em 2.322 kg/ha.
Canola – As lavouras estão em maturação e colheita. O encerramento do ciclo em um período de excesso de precipitações e de elevada umidade impactou de forma negativa as operações de colheita, aumentando os riscos de germinação dos grãos ainda nas síliquas e os custos de secagem. Há diferenças expressivas entre lavouras e municípios, relacionadas às condições ambientais, ao nível de investimento e ao manejo adotado. Em algumas áreas severamente atingidas, a produtividade projetada pode não compensar os custos de colheita, enquanto outras mantêm rendimentos próximos das expectativas iniciais. A área cultivada no Estado está estimada em 353.397 hectares, e a produtividade média projetada em 1.619 kg/ha.
Carinata – A cultura está em enchimento de grãos e maturação. A colheita foi efetuada em aproximadamente 5% das áreas. Os temporais com granizo e ventos fortes provocaram o acamamento e a queda de síliquas, comprometendo componentes de rendimento. As perdas podem ser expressivas nos locais mais atingidos. A área estimada de plantio pela Emater/RS-Ascar é de 12.365 hectares.
Cevada – A cevada se encontra em enchimento de grãos (40%) e maturação (22%), sob condições de elevada umidade, que aumenta a preocupação com a qualidade industrial. A colheita está em fase inicial e abrange menos de 2% da área. Apesar do satisfatório potencial produtivo e das condições sanitárias, as chuvas frequentes podem comprometer os parâmetros de qualidade exigidos pela indústria cervejeira, especialmente a capacidade germinativa dos grãos. Os resultados finais dependerão da evolução da maturação e das condições meteorológicas até a colheita. A área de cultivo estimada é de 20.320 hectares no Estado, e a produtividade média de 3.020 kg/ha.
Fonte: Emater/ASCAR







