“Não sei de onde tirei forças, mas Deus me deu este propósito em minha vida”, diz Anderson

A vida de Anderson Rodrigues da Silva nunca mais foi a mesma depois do ato de bravura que teve na tarde de quarta-feira do dia 15 de janeiro de 2018. Ele foi o responsável pelo salvamento do menino Richard Padoan Tavares, de 7 anos de idade, que foi retirado de dentro de sua residência que estava incendiando. No momento do sinistro, o menino estava sozinho em casa e de uma janela do segundo piso, ele gritava por socorro.

“Eu estava trabalhando lá perto e resolvi ir até o local para ver o que estava acontecendo. Quando cheguei lá fiquei sabendo que tinha uma criança presa. Não pensei duas vezes e fui até lá, subi nem sei como naquela janela, porque era muito difícil. Eu não estava conseguindo arrebentar aquela grade de ferro, puxei mais de 30 vezes e o menino dizia cada vez mais: ‘tio me ajuda, eu estou me queimando”. Comecei a ficar apavorado, porque tinha ferro na minha frente e não estava conseguindo tirar o menino, até que de repente a grade cedeu, aí usei todas as minhas forças para puxar ela para pelo menos, abrir um espaço para tirar a criança de lá. Consegui puxar ele por um espaço muito pequeno, e joguei ele para baixo. Foi quando o Márcio o pegou no colo e foi procurar alguém que pudesse levar ele ao hospital. Isso deve ter dado uns 10 minutos”, relembra Anderson.

Anderson (ao centro) com sua esposa e filha à esquerda e Márcio à direita, que também ajudou a salvar Richard

Márcio Velasque, que inclusive foi durante anos vizinho da família, foi quem ajudou a dar suporte à Anderson e pegou Richard quando ele foi retirado pela janela. “Era muito curioso naquela hora e pouca ação. Muitos olhando sem fazer nada, sem ter uma atitude. Mas o Anderson não, ele não quis ver aquele menino morrer queimado. E fez o impossível para tirar ele de lá”, afirma.

“Foi Deus que me colocou lá, foi Deus que me deu forças. Tive que ser muito rápido, antes que o menino queimasse. Tinha medo que desse uma explosão, aí seria tarde”, comentou bastante emocionado, durante entrevista à reportagem do JGR. Um dia depois do susto, ele diz se sentir feliz. “Muito feliz, por causa do menino que consegui salvar. Estou satisfeito comigo mesmo. Foi Deus que me deu este propósito. Tentaria fazer tudo de novo. Sou pai e isso que me moveu. O que eu queria que alguém fizesse pela minha filha quando ela precisasse, eu faço pelos outros. Na hora eu estava forte, não sentia absolutamente nada. Mas depois que eu tirei ele de lá e tive certeza que não tinha mais ninguém, desabei em lágrimas e estava exausto”.

Márcio conta que pela janela em que o Richard estava, saía muita fumaça. “Ele se espremia num cantinho para não se queimar e pedia ajuda. De lá de baixo, minha agonia aumentava olhando, porque eu tinha muito medo que o Anderson não conseguisse. Aí seria nós dois lá vendo aquele menino ser queimado. Parecia uma cena de filme. Eu pensava, ‘minha nossa, ele não vai conseguir’. Mas Deus o iluminou e deu forças para conseguir arrancar aquela grade. Se a gente for lá ver hoje, é quase inexplicável o que o Anderson conseguiu fazer. Ao mesmo tempo que eu escutava o menino dizer: apura tio, eu via que o Anderson não conseguia e logo depois, ele já estava no meu colo. Quando eu peguei ele e ouvi ele dizer ‘eu estou bem tio’, foi uma das melhores coisas que eu já senti. Porque de início eu não sabia se ele estava muito queimado ou não”, relatou Márcio.

A atitude de bravura fez com que a notícia se espalhasse pelos quatro cantos do Brasil e todos elogiaram em comentários nas redes sociais, considerando-os verdadeiros heróis.

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