Fenômeno confirmado pela Defesa Civil atingiu municípios da região na tarde de terça-feira (28), deixou feridos, destruiu residências e voltou a evidenciar a vulnerabilidade do Rio Grande do Sul diante de tempestades severas. Em Santa Rosa, a população também enfrentou uma noite de instabilidade, marcada por temporais, rajadas de vento, chuva intensa e registro isolado de granizo.
A Região Noroeste do Rio Grande do Sul viveu momentos de tensão na tarde de terça-feira (28), quando um tornado atingiu áreas rurais dos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, deixando um rastro de destruição, pessoas feridas e dezenas de famílias afetadas. O fenômeno, confirmado pela Defesa Civil Estadual, foi associado à passagem de uma supercélula — um dos tipos mais intensos de tempestade capazes de produzir granizo, ventos extremos e tornados.
Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, o tornado ocorreu por volta das 18h25. Antes mesmo da formação do fenômeno, um Alerta Laranja já havia sido emitido às 17h14 para a região, indicando risco de tempestades severas com rajadas intensas de vento e queda de granizo. Após a passagem da tempestade, equipes municipais, Corpo de Bombeiros, SAMU e Defesa Civil iniciaram o atendimento às ocorrências.
Em Sete de Setembro, duas residências foram completamente destruídas e três pessoas ficaram feridas, sendo encaminhadas para atendimento hospitalar. Já em Giruá, comunidades do interior registraram danos severos em moradias, queda de inúmeras árvores e prejuízos na rede elétrica. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. Em Senador Salgado Filho, o tornado provocou destelhamentos, derrubou árvores e atingiu pelo menos doze residências, afetando dezenas de moradores.
Embora Santa Rosa não tenha registrado a ocorrência de tornado, a cidade também enfrentou os reflexos da forte instabilidade que atingiu a região. Entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, pelo menos dois temporais passaram pelo município, trazendo chuva intensa, fortes rajadas de vento e registros isolados de queda de granizo em alguns bairros e localidades do interior. A sequência de tempestades chamou a atenção dos moradores e reforçou o cenário de instabilidade que predominou em todo o Noroeste gaúcho.
Vídeos gravados por moradores impressionaram pela força do fenômeno. As imagens mostram o funil característico do tornado descendo da base da nuvem e avançando sobre áreas rurais, enquanto ventos extremamente fortes levantavam poeira, galhos e estruturas.
Especialistas explicam que o tornado foi provocado por uma supercélula, tempestade caracterizada por uma corrente ascendente em rotação. Quando essa rotação se estende até o solo, forma-se o tornado, capaz de concentrar ventos extremamente intensos em uma faixa relativamente estreita, provocando destruição localizada, porém severa.
Embora seja um fenômeno considerado raro, tornados não são desconhecidos no Sul do Brasil. O Noroeste gaúcho está inserido em uma área frequentemente influenciada pelo chamado Corredor dos Tornados da América do Sul, onde o encontro entre massas de ar quente e úmido vindas do Norte com o ar frio de origem polar favorece a formação de tempestades severas e, ocasionalmente, de tornados.






