Lançamento de “As Abelhas” transforma noite em Campina das Missões numa celebração da vida

Lançamento de “As Abelhas” transforma noite em Campina das Missões numa celebração da vida

Um livro não nasce de um dia para outro, é necessário muito estudo, pesquisa e dedicação. Na noite do dia 28 de agosto, culminou com o encontro de autoridades, de pessoas letradas, até os de mão calejadas pelo trabalho dedicado às abelhas, E assim, mais de cem pessoas atravessaram a noite agradável para se fazerem presentes ao lançamento de As Abelhas, do escritor Jacinto Anatólio Zabolotsky — um livro que, como logo se revelaria, fala menos sobre insetos e mais sobre o destino compartilhado entre o homem e a natureza.

            A plateia era, em si, um retrato da força que a obra desperta. Prefeitos de quatro municípios vizinhos — Carlos Justen, de Campina das Missões; Iury Zabolotsky, de Porto Lucena; Guerino Backes, de Cândido Godoi; e a representação de Oberdan Rhoden, de São Paulo das Missões, por meio do secretário de Gestão Cleiton Rauber — sentaram lado a lado com apicultores de mãos calejadas, lideranças religiosas, professores universitários, empresários e agricultores. Ali estavam o presidente da Câmara de Vereadores, Douglas Pydd; o conselheiro da Alibem, Juscelino Gonçalves; o diretor de Produção da Maxbem, Igor Gomes da Silva; o professor Dr. Pablo Lermos Bernej, da Universidade Federal da Fronteira Sul; Egídio Schein – Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Lairton Grün  – Presidente da Asociação dos Apicultores, além de membros da Academia de Letras e do Rotary Club. Representações de vários municípios da região marcaram presença. Um mosaico humano reunido, como as próprias abelhas, em torno de um propósito comum.

            Foi o acordeom do artista Dr. Noé Teixeira que abriu a noite, com os acordes de “Missões 400 Anos” ecoando entre as paredes e preparando os corações para o que viria. O autor da obra, então, tomou a palavra — não como quem apresenta um produto, mas como quem entrega, com as mãos de quem sabe o peso do que carrega, uma obra gestada ao longo de anos de observação, pesquisa e afeto pelo mundo das colmeias, vendo a plateia com inquietações e reflexões. A imprensa local e regional testemunhou o evento. Este semanário estava também presente.

            Os prefeitos, um a um, ergueram suas vozes para enaltecer não apenas o livro, mas o que ele representa: um alerta poético e ao mesmo tempo científico sobre a importância vital da polinização para a produção de alimentos, para o equilíbrio dos ecossistemas, para a própria sobrevivência humana. Os morros do costão do rio Uruguai, próximo a Maxbem em Porto Mauá, próprio para desenvolver colmeias. E foi o reverendo padre Inácio Fengler, da Igreja Católica local, quem trouxe à noite uma revelação que fez o público prender a respiração: pela primeira vez na história do papado, o Papa Leão XIV receberá no dia 03.10 no Vaticano, em audiência especial, representantes dos apicultores de todo o mundo — um gesto que confirma, em escala global, o que Campina das Missões já celebrava naquela noite em escala local. Como lembrou o padre, sem as abelhas, o ser humano simplesmente desaparece.

            Encerrada a sessão de autógrafos — fila que se estendeu por longo tempo, testemunho silencioso do carinho do público pelo autor —, o grupo Troyka tomou a cena com suas danças vibrantes, trazendo à celebração literária o colorido e a energia da tradição. O evento uniu literatura, cultura e consciência ambiental numa só celebração. O coquetel de confraternização que se seguiu prolongou a noite em conversas, brindes e a sensação, compartilhada por todos, de terem participado de algo maior que um simples lançamento: um verdadeiro fórum de debates sobre o futuro da vida no planeta, tendo as abelhas como fio condutor, seres laboriodos alados que produzem o que há de mais doce: o mel.

            Como resume a frase que fecha a obra e que pairou sobre toda a noite: “O livro é como semente e como mel, só cumpre seu destino quando é partilhado.”

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