Há histórias que nascem pequenas, do tamanho de uma abelha, e crescem até tomar o coração de uma cidade inteira, da região e do universo. Foi assim em Campina das Missões, no dia 28 de agosto, quando cerca de cem pessoas se reuniram no CRAS para testemunhar o nascimento de um livro que promete atravessar gerações: “As Abelhas – O Eterno Zumbido da Vida”, do escritor campinense Jacinto Anatólio Zabolotsky. Quatro prefeitos, autoridades, apicultores e convidados dividiram o mesmo ar perfumado de mel e expectativa, numa noite em que a literatura pousou, delicada como uma abelha sobre a flor, no meio do povo. Este semanário estava presente no evento e testemunha a importância e a repercussão positiva do lançamento.
Menos de três semanas depois, em 14 de setembro, a comovente cena ganhou reconhecimento oficial: a Câmara de Vereadores aprovou, por unanimidade, Moção de Congratulações ao autor. A proposta, de autoria do presidente da Casa, vereador Douglas G. Pydd, recebeu o endosso conjunto das bancadas do MDB, do PT e do PL — um instante em que a política, tantas vezes dividida, encontrou consenso ao redor de uma colmeia, cujo documento ressalta “… em reconhecimento à relevância de sua produção literária e à contribuição para a cultura de nosso Município. A Câmara Municipal registra, assim, sua Moção de Congratulação pela publicação da obra, que ao abordar a relação entre o ser humano e a natureza a partir do universo das abelhas, contribui para a reflexão sobre a preservação ambiental, o equilíbrio dos ecossistemas e a responsabilidade humana diante do mundo natural… reiterando os votos de sucesso em sua trajetória literária e desejando que a obra alcance muitos leitores e contribua para despertar novas reflexões”, encerra o documento.
Nas páginas do livro, a abelha deixa de ser apenas inseto laborioso e se torna metáfora e memória: símbolo do trabalho silencioso, da entrega coletiva, da vida que se constrói voo a voo, flor a flor. A justificativa da Moção lembra, com a importância que o tema exige, que mais de 70% da produção de alimentos e frutas do planeta depende da polinização feita por esses pequenos seres laboriosos — e que, sem eles, a própria humanidade corre o risco de desaparecer.
Zabolotsky transforma esse dado científico em narrativa sensível, convidando o leitor a enxergar o zumbido como um eterno lembrete de que tudo na natureza está interligado, e de que cuidar das abelhas é, em essência, cuidar de nós mesmos.
Mais do que uma obra literária “As Abelhas – O Eterno Zumbido da Vida” tornou-se um gesto de amor à terra, aos apicultores que sustentam essa cadeia invisível de vida, e à própria Campina das Missões, que agora vê um de seus filhos transformar o cotidiano do campo em literatura capaz de emocionar e conscientizar. Ao aprovar a Moção por unanimidade, a Câmara não apenas parabenizou um autor: reconheceu que, às vezes, é preciso o sussurro de um livro para que uma cidade inteira e o universo voltem a escutar o som mais antigo e mais essencial da vida — o zumbido incansável das abelhas.







