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Para quem desejar tirar dúvidas ou conhecer melhor o momento vivido durante o regime militar, recomendo procurar o livro de Índio Vargas Guerra é Guerra. Será uma empreitada muito difícil, acho que nem no sebo encontrarão. O exemplar que possuo na minha modesta biblioteca caseira está a disposição de quem tiver interesse. Nós temos ouvido explicações dos militares quando são abordados sobre tortura, desaparecimentos e morte naquele período negro da história do Brasil. A explicação é sempre a mesma, inclusive na Comissão da Verdade: “Nós vivíamos uma guerra e guerra é guerra”.

Mas, Índio Vargas sempre foi um amigo e companheiro meu, naquele mesmo período, omisiei o Índio na casa da família, foi quando ganhei o seu livro com um honroso autógrafo. Notem que os dois lados do conflito admitiam que estavam em guerra. Como dizia Índio Vargas, ‘guerra é guerra’, eu tinha filiação no MDB, de certa forma ‘eles’ tinham razão, para ‘eles’ eu não era politicamente de confiança. Como funcionário público, no DAER, especialmente, não havia como evoluir para uma classificação melhor na área administrativa, pois eu já havia alcançado a última ‘letra’ nesse setor, a classificação de Assistente Técnico Contábil, (mais tarde cargo foi equiparado à auditor). Resolvi, motivado pelas pessoas e pelas razões narradas nos capítulos anteriores, optar pela advocacia e em 1972, faltando dois anos para terminar o curso, pedi minha exoneração e como já disse fui acolhido como estagiário nos escritórios dos advogados Aldo Dionysio Sandri e Luis Lopes Burmeister.

Mas e o casamento? Para começar mudou o local, foram realizados dois casamentos no mesmo dia e na mesma hora no Clube Concórdia, o meu com Nívea e mais outro, cuja noiva era Vera Puckall e o noivo apenas lembro que era Xavier, em dois ambientes da imponente sociedade. Mudou a duração da lua de mel, que foi encolhido para apenas 8 dias nas águas termas do Balneário de Iraí; mudou tudo mas casamos Nívea e eu na Matriz da Igreja Católica Sagrado Coração de Jesus, em S. Rosa. Fomos morar em uma casa simples e antiga na hoje Rua Oscar Seger, cujo nome seria proposto por mim quando vereador na Câmara Municipal e de onde saímos para residir onde moramos até hoje no Bairro Bancários. Tivemos 3 filhos maravilhosos que amamos muito, Cintia nascida em 1969, advogada; Giovana, em 1972, fisioterapeuta e Mateus, em 1979, igualmente, advogado e nosso sócio no Escritório Madeira & Mundstock Advogados Associados. Costumo responder a quem me pergunta: para ser mais econômico, lá em casa somos cinco, quatro são advogados e a filha que não é, casou com advogado.

É o caso da Giovana, casada com o advogado Gustavo Villar Mello Guimarães, residentes em Florianópolis. Cintia, advogada graduada pela PUC/RS, é casada com Mário Garrastazu Médici Neto. O casal nos deu a neta Bruna e o netinho emprestado Rafael de inteligência fora do comum, Giovana e Gustavo nos brindaram com os gêmeos Antônio e Henrique. Mas nem tudo foi um mar de rosas, tivemos muitos problemas, muita dificuldade nos primeiros anos de nosso casamento, dificuldade de relacionamento, mesmo. Todos sabiam que eu fui músico, folião e político, mas não estávamos preparados, nem mesmo eu, para abandonar todas aquelas atividades sociais, políticas, desportivas e musicais para cuidar só da família. Essas três atividades estavam arraigadas em minha cultura desde jovem, faziam parte do meu DNA, a resistência da minha esposa era natural e compreensível, mas graças à sua firmeza e persistência estamos casados há 52 anos.

Até sábado

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